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As origens do fotojornalismo no Brasil: um olhar sobre O Cruzeiro (1940-1960)
As origens do fotojornalismo no Brasil: um olhar sobre O Cruzeiro (1940-1960)

As origens do fotojornalismo no Brasil: um olhar sobre O Cruzeiro (1940-1960)

Fotógrafo: Jean Manzon, José Medeiros, Peter Scheier, Henri Ballot, Pierre Verger, Marcel Gautherot, Indalécio Wanderley, Ed Keffel, Roberto Maia, Mário de Moraes, Eugênio Silva, Carlos Moskovics, Flávio Damm, Luiz Carlos Barreto, Luciano Carneiro, Salomão Scliar
Organização: Sergio Burgi, Helouise Costa

Catálogo da exposição de mesmo nome, realizada pelo Instituto Moreira Salles em 2012, a publicação, com textos e imagens, investiga o início do fotojornalismo no Brasil, tendo como referência a produção dos fotógrafos que atuaram na revista O Cruzeiro nas décadas de 1940 e 1950.

Helouise Costa, docente e pesquisadora do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), e Sergio Burgi, coordenador do acervo de fotografia do IMS, são organizadores deste projeto, que une uma extensa pesquisa acadêmica em torno da revista O Cruzeiro ao vasto acervo do ims. Publicada pelos Diários Associados, empresa de comunicação pertencente a Assis Chateaubriand, a revista O Cruzeiro foi lançada em 1928 como uma publicação semanal de variedades, de circulação nacional. Tornou-se um dos mais influentes veículos de comunicação de massa que o país já conheceu. No início da década de 1940, incorporou o modelo da fotorreportagem, tornando-se pioneira na implantação do fotojornalismo no Brasil.

Assim como na exposição, o livro tem como fio condutor a fotografia, a partir da relação entre as imagens produzidas pelos fotógrafos e as fotorreportagens tal como foram publicadas. São fotos de Jean Manzon, José Medeiros, Peter Scheier, Henri Ballot, Pierre Verger, Marcel Gautherot, Luciano Carneiro, Salomão Scliar, Indalécio Wanderley, Ed Keffel, Roberto Maia, Mário de Moraes, Eugênio Silva, Carlos Moskovics, Flávio Damm e Luiz Carlos Barreto. Muitas das imagens pertencem ao acervo do ims. Outras foram cedidas por outros arquivos: jornal Estado de Minas, Fundação Pierre Verger, Apesp (Acervo Público do Estado de São Paulo), Coleção Samuel Gorberg e os acervos pessoais de Luiz Carlos Barreto e Flávio Damm.

No livro, as imagens estão organizadas em torno da grande reportagem – dividida em seis eixos temáticos: “Olhares itinerantes”, “O povo brasileiro”, “Flagrantes da vida urbana”, ”A política entre o público e o privado”, “A imprensa e as artes” e “A temática indígena” – e das questões editoriais que caracterizam a revista. Ao mesmo tempo, a publicação busca ampliar a contribuição da exposição ao reunir textos sob diferentes aspectos de O Cruzeiro e sua inserção no sistema midiático globalizado das revistas ilustradas de grande circulação. Há ensaios produzidos pelos curadores da exposição, Helouise Costa (“Entre o local e o global: a invenção da revista O Cruzeiro e a invenção da revista ilustrada”) e Sergio Burgi (“O fotojornalismo humanista da revista O Cruzeiro”), pelo antropólogo Fernando de Tacca (“O Cruzeiro versus Paris Match e Life”) e pelo pesquisador Fernando Morgado (“O Cruzeiro e a indústria cultural brasileira”), além do depoimento “A grande aventura fotojornalística”, escrito por Flávio Damm. A publicação disponibiliza um caderno com reproduções em fac-símile de fotorreportagens das décadas de 1940 e 1950, de autoria de Jean Manzon e Luciano Carneiro respectivamente, a fim de oferecer ao leitor uma experiência visual e táctil próxima da manipulação dos exemplares originais. Há ainda uma minibiografia de cada fotógrafo. 

Páginas: 335
Formato: 23 x 28 cm
ISBN: 9788586707865
Idioma: Português

R$140,00
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Carlos Moskovics

Fotógrafo

Carlos Moskovics (1916-1988) nasceu em Budapeste, Hungria. Ainda criança, emigrou com a família para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 1927. Aos 15 anos, começou a trabalhar como assistente de fotógrafo. Foi um dos mais ativos documentadores da vida elegante da então capital federal e um dos mais importantes fotógrafos do meio teatral da cidade até a década de 1960. Em 2004, seu acervo de mais de 150 mil imagens foi incorporado às coleções fotográficas do Instituto Moreira Salles.

José Medeiros

Fotógrafo

José Medeiros (Teresina, 1921-Áquila, Itália, 1990) travou seus primeiros contatos com a fotografia em Teresina. Em 1939, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a publicar seus instantâneos nas revistas Tabu e Rio. Em 1946, o fotógrafo francês Jean Manzon, radicado no Brasil desde 1940, convidou-o a integrar a equipe da revista O Cruzeiro, um dos maiores sucessos da imprensa brasileira e, sobretudo, um centro de inovação fotojornalística. Medeiros trabalharia por 15 anos para a revista. Em 1962, fundou a agência Image, em parceria com Flávio Damm e Yedo Mendonça. Três anos mais tarde, começou a trabalhar com cinema, assinando a direção de fotografia de clássicos como A falecida (1965), de Leon Hirszman, Xica da Silva (1976), de Cacá Diegues, e Memórias do cárcere (1984), de Nelson Pereira dos Santos.

Marcel Gautherot

Fotógrafo

Marcel Gautherot (Paris, 1910-Rio de Janeiro, 1996) estudou na Escola Nacional de Artes Decorativas e trabalhou alguns anos como arquiteto de interiores e projetista de móveis. Em 1936, ingressou no Museu do Homem, no qual desenvolveu seus conhecimentos técnicos de fotografia. Em 1939, viajou pela primeira vez ao Brasil, para uma expedição que começaria na Amazônia e terminaria no carnaval do Rio de Janeiro; a viagem foi interrompida no início de 1940 pelo início da Segunda Guerra Mundial. Depois de poucos meses junto às tropas francesas no Senegal, Gautherot voltou ao Brasil, onde viveria pelo resto da vida. Radicado no Rio de Janeiro, em mais de meio século de vida no Brasil, Gautherot viajou por todo o país, produzindo uma obra fotográfica de valor documental e qualidade artística incomparáveis.

Peter Scheier

Fotógrafo

O alemão Peter Scheier (1909-1979) chegou ao Brasil em 1937 como refugiado do nazismo. Após breve período trabalhando como tipógrafo no jornal O Estado de S. Paulo, foi admitido como fotorrepórter na revista O Cruzeiro, do grupo Diários Associados, responsável pela introdução do fotojornalismo como um campo editorial no Brasil. Fotografou obras inovadoras na arquitetura, registrou o lado menos nobre da inauguração de Brasília e fotografou em diversos países, como Estados Unidos e Israel.

Henri Ballot

Fotógrafo

Filho de pai francês, Ballot nasceu na cidade gaúcha de Pelotas, mas cresceu na França, na região de Charente, para onde se mudou aos dois anos de idade. Na Segunda Guerra Mundial, atuou na Resistência Francesa e passou quatro meses como prisioneiro do exército alemão na Espanha. Após ser libertado, juntou-se como piloto à Free French Air Force, na Inglaterra. Em 1949, teve a carreira encerrada por um acidente aéreo e decidiu se mudar para São Paulo, dando início à atividade de fotógrafo. Entre 1951 e 1969, produziu, entre outras, as fotorreportagens "O gado humano", sobre os retirantes nordestinos em São Paulo; "Chikrin, Txukarramãe e Tchicão", sobre os primeiros contatos com os índios das respectivas tribos; "A produção do café em São Paulo"; "A Copa do Mundo em 1958"; "A guerra no Líbano"; "A construção da Transamazônica"; "Greve geral no país"; "Escolas de samba no Rio de Janeiro" e "Os antropófagos da Amazônia". Em 1961, Ballot foi enviado a Nova York para documentar os bolsões de pobreza da cidade, em resposta a uma reportagem de capa da revista Life retratando a miséria das favelas do Rio, centrada na figura de um garoto, Flávio da Silva. A matéria era assinada pelo lendário fotógrafo e cineasta Gordon Parks, e o trabalho de Ballot seguia o mesmo caminho, expondo a pobreza do Harlem hispânico. Na capa de O Cruzeiro, o título era tão sensacionalista quando o da Life: "O repórter Henri Ballot descobre em Nova York um novo recorde americano: miséria". O fotógrafo permaneceu em São Paulo até 1968. Após deixar O Cruzeiro, trabalhou na montagem de um estaleiro na Ilha Grande (RJ) e na criação de cabras em Santa Catarina.