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Serrote 23
Serrote 23

Serrote 23

A convite da serrote, quatro importantes intelectuais brasileiros escrevem sobre o atual momento político do país, reunidos na série "Retratos do Brasil", que não pretende esgotar o tema, apenas contar parte de uma história inconclusa. Tales Ab'Sáber (1965), psicanalista e professor da Unifesp, faz uma leitura sobre o ódio que nasce a partir de notícias e histórias inventadas. Angela Alonso (1969), livre-docente do Departamento de Sociologia da USP, sugere que, em um Brasil dividido, a comunidade dos iguais se protege no rebaixamento do diferente, naturalizando-o como inferior e nocivo. Para Laymert Garcia dos Santos (1948), professor titular de sociologia da Unicamp, o país vive um embate de estratégias políticas para tornar público o que é dito em privado. Renato Lessa (1954), professor titular de teoria política da UFF, explica a origem da palavra "urna". Os textos são acompanhados por pinturas da série Desvio, do jovem artista Gabriel Jaguaribe Giucci (1987), que retratou os principais investigados da Operação Lava Jato.

O crítico de cinema José Carlos Avellar (1936-2016) escreve sobre a representação da família no cinema brasileiro recente. A serrote adianta trechos inéditos do material que será lançado em livro, ainda neste ano, pelo IMS. Para Avellar, na produção cinematográfica nacional dos anos 1960, o contexto político e social desfocavam a família e, a partir do final dos anos 1990, o núcleo familiar passa a assumir o protagonismo.

O ensaio visual da serrote #23 reúne dois cadernos de Wilma Martins (1934), artista plástica mineira, convidada da 32ª Bienal de São Paulo. Na primeira série, Wilma registra fragmentos da vista de sua casa, em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, onde vive há cinco décadas. Na segunda, Cotidiano, criada entre 1975 e 1984, ela desenha animais brotando de gavetas, da pia e da cama desarrumada.

No texto "Em Calais", misto de reportagem e ensaio, o consagrado escritor francês Emmanuel Carrère (1957) visita a cidade portuária francesa que convive com a gravidade da crise de imigração na Europa, processo que desperta opiniões divergentes entre seus habitantes.

Para tentar compreender os mecanismos da imaginação, o filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980), aos 30 anos, se submete a aplicações de mescalina, alucinógeno natural extraído de uma espécie de cacto. Para ilustrar "Anotações sobre os efeitos da mescalina", a serrote convidou o diretor de arte Rico Lins (1955). É dele também a capa desta edição.

A serrote publica um trecho do ensaio "Literatura de esquerda", do argentino Damián Tabarovsky (1967). O escritor, editor e tradutor acredita que existam dois polos em que a literatura se encaixe: o mercado e a academia. Tabarovsky defende uma literatura de esquerda, que não se preocupe com público, crítica, circulação ou posteridade.

O peruano Julio Ramón Ribeyro (1929-1994) é um dos nomes mais importantes do conto latino-americano e foi um praticante fervoroso do diário como forma literária. A serrote publica "A tentação do fracasso – Primeiro diário parisiense (1953-1955)", que narra seus 20 e poucos anos vivendo na capital francesa, com pouco dinheiro e muitos questionamentos sobre seu trabalho como escritor. O texto é ilustrado com uma série de 12 fotos de Walker Evans, também na Paris da década de 1950.

Em "O autor como apropriador", Leonardo Villa-Forte (1985) apresenta a escrita não criativa de Kenneth Goldsmith. Para ele, o poeta e artista americano pretende repetir no universo do texto o que Marcel Duchamp fez no universo da arte.

Para o jornalista, escritor e tradutor mexicano Juan Villoro, em "O ornitorrinco da prosa", a crônica latino-americana é um gênero híbrido entre o jornalismo e a ficção.

Ilustram ainda esta edição: Javier Sáez Castán, Nicholas Rougeaux e Theo Firmo.

Páginas: 224
Formato: 24x18x1,8cm
Idioma: Português
Coleção: Serrote
Lançamento: Junho/2016

R$44,50

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