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Serrote 21
Serrote 21

Serrote 21

Nesta edição com texto inédito do filósofo francês Roland Barthes (1915-1980), que completaria 100 anos neste mês. "Sobre sete frases de Bouvard e Pécuchet" é resultado de anotações feitas para um seminário de 1975 em que Barthes faz uma leitura do livro clássico de Gustave Flaubert. O texto foi encontrado em seus arquivos e publicado este ano na França para celebrar seu centenário.
 
Em "O Lima Barreto que nos olha", Beatriz Resende analisa a parca iconografia do escritor. Para ela, no processo de legitimação de um autor, seu arquivo pessoal é um ponto de partida importante para os estudos literários, e as fotografias podem dizer muito sobre a maneira como autores viviam e seus contextos sociais. Lima Barreto só obteve reconhecimento a partir da publicação de suas Obras completas, organizadas por Francisco de Assis Barbosa. Suas fotografias conhecidas são poucas, além das duas imagens de registro feitas durante suas duas internações no hospício. A partir delas, a pesquisadora faz uma leitura iconográfica de um dos mais importantes autores da literatura brasileira.

Emmanuel Carrère (1957), um dos mais importantes escritores franceses contemporâneos, conta, na reportagem "Em busca do homem dos dados", originalmente publicada na revista XXI, a história do psicanalista americano Luke Rhinehart que, bem ao gosto transgressivo dos anos 1960, entregou ao acaso importantes decisões de sua vida. Em toda e qualquer circunstância, Luke passou a consultar um dado, com seis diferentes opções, para decidir o que fazer. Invenção e realidade misturam-se na vida do personagem e no texto de Carrère, que revela como, ainda hoje, seguidores fascinam-se com a ideia que pode levar a liberdade ao limite da destruição.

Émilie du Châtelet (1706-1749), a Madame du Châtelet, foi uma mulher à frente de seu tempo. Recebeu uma educação fora do comum, aprendeu vários idiomas, música, dança e teatro, o que não era regra para mulheres em sua época. Por 15 anos, manteve uma relação com o iluminista francês Voltaire, sua principal influência nos estudos de física e matemática. No texto publicado pela serrote, uma espécie de autoajuda do século XVIII, Madame du Châtelet discursa sobre a felicidade. "Para ser feliz, é preciso despir-se dos preconceitos, ser virtuoso, comportar-se bem, ter impulsos e paixões e ser suscetível à ilusão, uma vez que devemos a ela a maior parte de nossos prazeres, e ai daquele que a perde", diz ela, para quem o mais importante seria cultivar sensações e sentimentos agradáveis.

Aqui, de Richard McGuire (1957), é o ensaio visual desta edição. Desenhista, cineasta e baixista, McGuire tem trabalhos publicados nos jornais The New York Times, Le Monde e Libération, entre outros veículos. O lançamento de Here, em 2014, foi acompanhado da exposição From Here to Here: Richard McGuire Makes a Book, em que a Morgan Library, em Nova York, exibia os originais do livro e desvendava seu longo e intricado processo de criação. O próprio artista selecionou trechos para a serrote do livro Aqui, que será publicado no Brasil pela Companhia das Letras em 2016.

O argentino Ricardo Piglia (1940), no ensaio "O escritor como leitor", retoma uma conferência proferida pelo escritor e dramaturgo polonês Witold Gombrowicz em agosto de 1947, em Buenos Aires, que se transformaria no famoso artigo "Contra os poetas". Para Gombrowicz, não existe nenhum elemento específico que possa qualificar um texto como poético, mas a disposição de ler poeticamente é que vai torná-lo poético. "O texto suscita uma expectativa de leitura de determinado tipo, e essa expectativa define a diferença e o valor", afirma. As ilustrações que acompanham o ensaio de Piglia na serrote são do desenhista Mariano Betelú (1937-1997), amigo mais íntimo e longevo de Gombrowicz, e são parte de longas séries dedicadas ao universo do polonês, incluindo algumas de suas mais conhecidas caricaturas.

Anatole Broyard (1920-1990) foi colunista e editor do The New York Times Book Review e um dos personagens mais influentes da vida literária americana entre as décadas de 1950 e 1980. Deixou uma autobiografia inacabada, da qual serrote selecionou alguns capítulos para publicar nesta edição ("Greenwich Village, 1946"). Ali, Broyard narra seus encontros com grandes personagens da literatura, como Anaïs Nin, da psicanálise e do cenário intelectual norte-americano nos primeiros anos do pós-guerra.

Em "Autorretrato do artista quando vítima", a crítica de arte Laura Cumming faz uma investigação sobre o papel do autorretrato em diferentes momentos da história da arte. Para ela, artistas como Edvard Munch, Caravaggio e Frida Kahlo ficcionalizaram seus sofrimentos em busca de solidariedade, choque ou admiração. Segundo Cumming, Frida Kahlo pode ser considerada uma premonição do futuro, quando artistas passariam a ser vistos como personalidades e suas vidas como uma obra em si, como a inglesa Tracey Emin que continuamente expõe casos de sua juventude. Emin, para muitos, representaria uma obra de arte total em si mesma e, por isso, é tão difícil separar sua vida de suas obras.

No texto "Pegadinhas intelectuais", o historiador Anthony Grafton (1950), especialista em antiguidade clássica, resgata um episódio do século 18 mostrando que uma peça pregada em uma das sumidades do mundo acadêmico do período revelou a fragilidade dos métodos então usados pelo erudito. O trote serviu como lição para historiadores pensarem e argumentarem com mais clareza.

Serrote traz também um poema em prosa de John Ashbery (1927), uma das grandes referências da poesia contemporânea. "Cuidado com o que você deseja" é parte de Breezeway, que reúne sua produção mais recente.

No alfabeto serrote, o americano John D'Agata (1975), considerado um dos principais nomes do chamado "ensaísmo experimental", explora o significado de "não ficção" e mostra como pode haver "um mundo de coisas num nome".

Ilustram os ensaios desta edição: Alex Cerveny, Barnett Newman, Ellsworth Kelly, Kellom Tomlinson, Marcelo Cipis, Mirtha Dermisache e Walter Carvalho.

Páginas: 224
Formato: 24x18x1,8cm
Idioma: Poruguês
Coleção: Serrote
Lançamento: Novembro/2015

R$44,50

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