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Serrote 29
Serrote 29

Serrote 29

Autor: Vários

A nova edição da serrote, revista de ensaios do Instituto Moreira Salles, tem entre os destaques uma seção especial em que seis intelectuais brasileiros refletem sobre figuras centrais da política nacional. A revista traz ainda textos sobre as origens do termo “politicamente correto”, por Moira Weigel, e sobre o sexismo refletido na história da boneca Barbie, por Jill Lepore, além de um ensaio do principal crítico de cinema do New York Times, A.O. Scott. 
A revista traz uma edição especial da seção “alfabeto serrote”, intitulada “Pequeno dicionário de grandes personagens da República”, com seis verbetes. O historiador Luiz Felipe de Alencastro (1946) escreve sobre o papel do vice-presidente. O jurista Conrado Hübner Mendes (1977) trata do juiz, enquanto a historiadora Heloisa Murgel Starling (1956) discute a personagem do general. A escritora Noemi Jaffe (1962), por sua vez, analisa a figura da eleitora, enquanto o cientista político Renato Lessa (1954) trata do candidato. Há ainda um verbete sobre a função do jornalista, escrito por Mário Magalhães (1964).
Em “Um álibi para o autoritarismo”, a pesquisadora norte-americana Moira Weigel (1984) investiga a história da expressão “politicamente correto”. Weigel argumenta que o termo foi apropriado por movimentos de direita, especialmente pelo presidente Donald Trump, para atrair eleitores ressentidos com as mudanças sociais. “Fazer oposição ao politicamente correto também se tornou um modo de dar ao racismo uma fachada politicamente aceitável na era pós-direitos civis”, afirma.
A historiadora americana Jill Lepore (1966) repassa as disputas judiciais envolvendo as bonecas Barbie e Bratz para discutir o controle sobre o corpo da mulher. Ao relembrar os detalhes do caso, Lepore aborda desde a história da Barbie, inspirada na boneca alemã Lilli, até o machismo presente no judiciário. “A rixa entre Barbie e Bratz ocupa um exíguo território delimitado por fronteiras tênues: entre moda e pornografia, entre original e cópia, entre brinquedos para meninas e direitos para as mulheres”, diz a historiadora.
As tensões sociais dos Estados Unidos também aparecem no ensaio “Olho no olho”, de Audre Lorde (1934-1992). Um dos principais nomes do feminismo negro norte-americano, Lorde reflete sobre o impacto do racismo nas relações entre as mulheres negras. A autora investiga esse processo, trazendo à tona sua experiência pessoal. “É mais fácil lidar com as manifestações externas do racismo e do machismo do que lidar com as consequências dessas distorções internalizadas na consciência que temos de nós mesmas e das outras”, afirma. O ensaio integra a coletânea Irmã outsider, que será publicada pela editora Autêntica.
Outro destaque é o ensaio “Como estar errado”, de A.O. Scott (1966), crítico de cinema do New York Times. O texto faz parte do livro Better Living Through Criticism, inédito no Brasil. Com ironia, o autor trata dos caminhos tortuosos do crítico em direção à verdade, numa batalha contra as certezas duradouras. Para Scott, “nenhum crítico que se preze pode ser um apóstolo da moderação”, afirmação que o editor da serrote, Paulo Roberto Pires, elege como epígrafe desta edição.
A serrote #29 conta a história de Hanna Diab, viajante sírio que colaborou com a primeira edição ocidental de As mil e uma noites, organizada pelo francês Antoine Galland no século XVIII. Os dois se conheceram em 1709, em Paris, onde Diab contou histórias ao escritor francês, que as incorporou ao livro. Considerado por muitos uma lenda, Diab enfim teve sua existência comprovada com a descoberta recente de seus diários de viagem, na Biblioteca Apostólica Vaticana. A serrote traz, pela primeira vez no Brasil, trechos do diário, selecionados, traduzidos e apresentados por Mamede Mustafa Jarouche (1963), livre-docente do departamento de Árabe da USP.
Em “Hannah Arendt e nós”, o filósofo Eduardo Jardim (1948) recorda o impacto dos primeiros grandes debates sobre a obra de Arendt no Brasil, durante a redemocratização nos anos 1980, e defende a importância de seu pensamento para os dias atuais. “Nosso interesse por Hannah Arendt teve a ver, em parte, com esse diagnóstico de crise no qual, de algum modo, nos reconhecíamos. […] Ela não foi para nós uma pensadora apenas da crise, mas de um novo início”, afirma.
A edição traz ainda um ensaio de Carlos Monsiváis (1938-2010), um dos mais influentes críticos culturais mexicanos. Em “A cafonice”, o escritor transita entre cultura popular e referências eruditas, abordagem recorrente em sua ampla produção. Passeando pela poesia, pela música e pela história, ele investiga o que significa ser cafona no México e, de forma mais ampla, na América Latina.
Considerado um dos criadores do ensaio autobiográfico, o britânico Charles Lamb (1775-1834) também está presente neste número. Em Confissões de um beberrão, o escritor reflete sobre as atribulações de uma vida passada entre os copos. Um clássico do gênero, aparece aqui pela primeira vez em português, com tradução de Daniel Lago Monteiro.
A serrote #29 conta também com um ensaio visual do artista argentino Jorge Macchi, além de fotos e desenhos de Yves Klein, Matthew Connors, Julie Mehretu, Cassandre, Chantal Joffe, Joaquin Trujillo, Laleh Khorramian e Mariel Clayton. A capa desta edição é uma intervenção do editor de arte da revista, Daniel Trench, sobre um desenho de Honoré Daumier.

Páginas: 224
Formato: 24 x 18 x 1,8 cm
ISBN: 9771984527029
Idioma: Português
Coleção: Serrote
Lançamento: Julho/2018

R$48,50

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