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ZUM 14
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ZUM 14

A 14ª edição da revista ZUM apresenta artigos e ensaios que abordam importantes debates da fotografia contemporânea, da representação do outro ao papel dos memes na esfera pública.

Destaque deste número, o mineiro Afonso Pimenta produziu, nos anos 1980, uma série de retratos dos moradores do Aglomerado da Serra, favela em Belo Horizonte. O fotógrafo, que viveu na comunidade, capturou o cotidiano de seus vizinhos, registrando desde as festas de aniversário e casamento até a efervescência dos bailes black. Suas imagens retratam a intimidade de uma parcela da população que tinha pouco acesso à fotografia, constituindo "um arquivo raro e precioso da vida privada do país", como afirma o editor da ZUM, Thyago Nogueira. A revista traz um portfólio de Pimenta, com imagens recuperadas do acervo de cerca de 80 mil imagens.

O registro íntimo de uma comunidade também aparece nas imagens da fotógrafa holandesa Dana Lixenberg. Em sua famosa série Imperial Courts (1993-2015), ela retratou os moradores de um antigo conjunto habitacional de Los Angeles, EUA. A artista comenta, entre outros temas, o processo de concepção da obra na entrevista concedida ao retratista sul-africano Pieter Hugo, publicada nesta edição da ZUM.

A fotografia como exercício de alteridade também é discutida no artigo de Wolfgang Tillmans, originalmente uma palestra apresentada na Royal Academy of Arts, em Londres, em fevereiro de 2011. O fotógrafo alemão faz um balanço de sua carreira, marcada pelo experimentalismo, a aproximação com a pintura e a astronomia, além da produção de registros da vida social e sexual de seus amigos. "A fotografia sempre mente sobre o que está diante da câmera, mas nunca sobre o que está atrás. Se não existir abertura da nossa parte quando fazemos um retrato, limitamo-nos a enfiar a pessoa numa ideia predefinida", pontua o artista.

Esta edição traz ainda imagens das séries Brasil nativo/Brasil alienígena e Histórias do Brasil, da artista carioca Anna Bella Geiger. Uma das pioneiras da videoarte no país, Geiger se apropria da linguagem do autorretrato para discutir a construção da identidade nacional. Nas imagens, a artista mimetiza os gestos cotidianos de mulheres e homens indígenas. De forma irônica, Geiger mostra a insuficiência das narrativas históricas, "frustrando qualquer projeção pacifica de imagens emblemáticas da nação", como pontua Laura Erber em texto sobre a produção da artista.

Assim como Geiger, o fotógrafo suíço Yann Gross oferece um contraponto ao discurso do exótico. Na premiada publicação O livro da selva, ele retrata a Amazônia do século XXI, mostrando uma cultura ligada à floresta, mas também aos centros urbanos e ao universo das celebridades. Nessa edição, a ZUM publica trechos do livro e um artigo de Daigo Oliva.

O tema da representação indígena aparece também nas fotografias dos povos da Terra do Fogo produzidas em 1920 pelo missionário e antropólogo alemão Martin Gusinde. Com suas lentes, o pesquisador registrou as cerimônias religiosas das etnias locais, criando imagens místicas que se contrapõem à objetividade vinculada à fotografia científica do período.

A ZUM #14 apresenta também um texto do curador Simon Baker sobre a série Cenas privadas, do fotógrafo Masahisa Fukase, um dos grandes nomes da fotografia japonesa. O trabalho é composto por fotografias instantâneas pintadas à mão. São registros de cenas banais do cotidiano, nos quais Fukase sempre aparece em primeiro plano, num prenúncio do fenômeno das selfies.

Ainda sobre a relação entre fotografia e identidade, esta edição traz um texto histórico do russo Aleksandr Ródtchenko, publicado em 1928. Escrito há 90 anos, o manifesto é uma defesa das múltiplas perspectivas possibilitadas pela fotografia. "Fixem a pessoa não num retrato 'sintético', mas na massa de fotografias instantâneas, feitas em diversos tempos e em diversas condições", escreve o artista num texto que pode ser relido à luz do fenômeno das redes sociais.

Mirando os dilemas contemporâneos, David Claerbout tece uma forte crítica à animação digital. Para o autor, ao optar por imagens hiper-realistas, os estúdios de animação assumem uma postura conservadora, prezando pela satisfação imediata do público e se contrapondo às vanguardas modernas.

Ainda sobre o consumo de imagens, o historiador Viktor Chagas escreve sobre o papel político dos memes e a necessidade de pesquisar o seu impacto na internet. "Os memes comentam os acontecimentos, expressam uma opinião pública e desempenham um papel de insurreição ao qual o sistema político não está acostumado a se sujeitar", defende o pesquisador.

Páginas: 184
Formato: 21x25 cm
Autor: Vários

R$57,50

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