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Serrote 28
Serrote 28

Serrote 28

Em “Tarde demais para salvar o mundo?”, publicado na serrote #28, o escritor norte-americano Jonathan Franzen define o ensaio como um exercício de risco. A nova edição da revista de ensaios do Instituto Moreira Salles apresenta textos de 10 autores nacionais e estrangeiros que seguem nessa direção, abordando alguns dos principais debates contemporâneos, do racismo estrutural aos levantes de 1968, das relações entre cultura e política no Brasil ao papel do intelectual em tempos sombrios. A serrote #28 será lançada na Feira Plana, em São Paulo, no dia 24 de março, às 17h. 
 
Um dos destaques desta edição é o ensaio “Niemeyer, de santo a milagreiro”, do arquiteto Francesco Perrotta-Bosch (1988), que lança um olhar crítico sobre o legado do maior arquiteto brasileiro, apontando a questão central que perpassa sua carreira: a relação entre arquitetura e poder. Perrotta-Bosch defende que, ao se associar a inúmeros projetos governamentais, Niemeyer produziu obras de valor inegável, mas também projetos engessados e pouco abertos à experimentação. “O ímpeto fáustico do arquiteto sintonizou-se assim com os desejos fáusticos de políticos”, afirma.
 
A tradição brasileira também é reinterpretada pelo filósofo francês Jacques Rancière (1940), em uma leitura inovadora da obra de Guimarães Rosa. Os contos do escritor mineiro são analisados em “O desmedido momento”, capítulo do livro mais recente do pesquisador, lançado em 2017 na França e inédito no Brasil. Um dos principais pensadores da arte, Rancière parte de seu fascínio pela obra de Rosa para construir uma teoria original sobre a ficção.
 
A serrote #28 também traz dois relatos clássicos sobre a contracultura em 1968. Em “Arrastando-se para Belém”, a jornalista Joan Didion (1934) narra sua viagem a São Francisco no auge da era hippie, em meio ao rock psicodélico, o uso disseminado de LSD e um agudo sentimento de desencanto com a sociedade norte-americana. Já no ensaio “Paris na primavera”, o poeta inglês Stephen Spender (1909-1995) narra com destreza o que viu durante o maio francês, como as tentativas de alianças entre burgueses e operários, os confrontos de rua e o conflito de gerações.
 
Uma das principais escritoras contemporâneas, a jamaicana Claudia Rankine (1963) comparece com fragmentos de seu livro Cidadã, relato impactante sobre o racismo nos Estados Unidos. Com uma escrita híbrida entre prosa e poesia, faz um retrato forte de como o preconceito racial se impõe no cotidiano.
 
As fraturas sociais dos Estados Unidos também aparecem no ensaio de Jonathan Franzen (1959). O autor de As correções apresenta um texto irônico no qual discorre sobre a eleição de Donald Trump. A vitória do republicano é analisada em paralelo à descrição de uma viagem que o escritor realizou a Gana, em 2016, para observar pássaros raros. Desiludido com os rumos da política nacional e o avanço inexorável do aquecimento global, Franzen desenvolve uma reflexão sobre o papel do escritor em tempos árduos. 
 
Mirando as contradições internas do Brasil, Pedro Meira Monteiro (1970) discute o papel da precariedade e do improviso na produção artística brasileira no ensaio “A gambiarra como destino”. Retomando as ideias do tropicalismo, o autor revela como os traumas históricos do país, da escravidão ao subdesenvolvimento, aparecem em obras experimentais de artistas distintos, como Helio Oiticica, Paulo Leminski e Daniela Thomas. 
 
A escritora Élisabeth Roudinesco (1944) também volta seu olhar para os trópicos em Dicionário amoroso da psicanálise, seu novo livro, do qual a serrote publica um trecho inédito. Autora das biografias de Freud e Lacan, Roudinesco faz uma análise cuidadosa da recepção da psicanálise na Argentina e no Brasil. 
 
A serrote #28 traz ainda um ensaio do argentino Ricardo Piglia (1941-2017) sobre o caráter mítico da obra de William Faulkner. O texto é um capítulo do livro póstumo Escritores norte-americanos, inédito no Brasil. 
 
Já em “A verdade da arte”, o teórico alemão Boris Groys (1947) faz uma análise ampla, desde as vanguardas modernas até a produção contemporânea, sobre a intervenção das obras de arte na realidade. 
 
Esta edição traz um ensaio visual do designer americano Ivan Chermayeff, cuja obra ilustra a capa da revista, além de obras de Maureen Bisilliat, Cao Guimarães, Gary Hume, Victor Moscoso e David Shrigley.
 

R$48,50

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