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Serrote 20
Serrote 20

Serrote 20

Com projeto do editor de arte Daniel Trench, a revista passou por uma reforma gráfica. Agora, o uso da tipografia é mais incisivo e expressivo, e nem sempre o texto é acompanhado por ilustrações. Além disso, a reforma também enxuga visualmente a revista, com uma forte presença cromática e com a variação de corpos tipográficos. O projeto, assim, mais seco, joga luz sobre o desenho da fonte e sobre as imagens.
 
A serrote 20 traz texto inédito de Sérgio Augusto (1942) sobre a revista nunca lançada Cinema Hoje, cujo projeto gráfico era assinado por um dos maiores artistas brasileiros, Amilcar de Castro (1920-2002). Recentemente, o jornalista encontrou durante uma mudança de endereço o boneco (ou boneca, como dizem os cariocas) da revista em uma caixa identificada com o nome de outra publicação. A serrote revela parte desse projeto, até então inédito.
 
Outro destaque é a série de entrevistas feitas pela jornalista americana Lillian Ross (1926) com François Truffaut (1932-1984) entre 1960 e 1976. Em cinco encontros ao longo de 16 anos, Ross contabilizou mais de cinco mil filmes assistidos pelo cineasta francês, descreveu suas mudanças físicas com a passagem do tempo – no primeiro encontro, Truffaut tinha 27 anos e no último, 44 –, discutiu sua produção cinematográfica e acompanhou seu progresso com a língua inglesa (as primeiras entrevistas tiveram o auxílio de uma tradutora).
 
O argentino Adolfo Bioy Casares (1914-1999) participa dessa edição com o diário de viagem que fez quando esteve no Brasil, em 1960. O escritor veio para participar de um encontro de escritores do PEN Club, no Rio, e teve a oportunidade de visitar também São Paulo e Brasília, que, segundo ele, “tem algo de delírio de arte moderna de um burocrata imaginoso; talvez de um demagogo imaginoso. […]Brasília é ambiciosa, futura, pobre em resultados presentes, incômoda.” Em suas andanças pelo Rio, sai à procura de Ofelinha, moça carioca que conhecera em um navio, em 1951.
 
“Disparidades eletivas” é o ensaio de Elvia Bezerra, coordenadora de literatura do IMS, que traz correspondência inédita entre os escritores Mário de Andrade e Ribeiro Couto, hoje depositada no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB), na USP. Ao longo de 20 anos, 61 cartas testemunham o esforço de entendimento estético e pessoal, em que as afinidades entre os dois paulistas apaixonados pelo Brasil, pela literatura e pela vida não foram suficientes para vencer suas diferenças.
 
No “Dicionário contemporâneo de arte contemporânea”, com ilustrações de Karel Teige, o cartunista Rafa Campos (1970) dá significado para os jargões do universo da arte – que, por sinal, ele descreve como “uma abstração, como o capitalismo e a democracia. Só que mata bem menos gente, apesar da mistura potencialmente perigosa de vinho branco e frutas secas.”
 
A americana Roxane Gay (1974), no ensaio “Feminista ruim”, expõe as razões pelas quais se considera feminista, só que uma “não muito boa”. Para ela, ser uma militante imperfeita é a forma possível de conciliar o que a mulher tem de singular e complexo gerado pela tirania que define um padrão “ideal” de luta por direitos.
 
O ensaio visual da edição, “40 nego bom é 1 real”, é do jovem artista alagoano Jonathas de Andrade (1982). A obra, concebida inicialmente para paredes de galerias e museus, foi repaginada para a revista e acrescenta desdobramentos à dura crítica feita pelo artista aos clichês ideológicos e estéticos historicamente ligados à região Nordeste do país.
 
Leia também:
 
- O diplomata Luiz Feldman (1985) assina o ensaio “O radical conservador”, em que aponta que o caráter progressista da obra seminal Raízes do Brasil só seria percebido em sua segunda edição, quando Sérgio Buarque de Holanda reavalia o papel da tradição e defende um projeto democrático.
 
- Em “O Montaigne de Shakespeare”, o professor Stephen Greenblatt (1943), um dos grandes especialistas em Shakespeare, demonstra que o dramaturgo inglês pode ter se inspirado nos Ensaios do ensaísta francês para compor peças como Rei Lear e A tempestade.
 
- O alfabeto serrote define “Privatização”, palavra que, para o alemão Boris Groys (1947), melhor caracteriza os processos que vêm ocorrendo na Rússia e no Leste Europeu desde o fim do regime comunista.
 
Também ilustram a edição: José Medeiros, Alexandre Vogler, Guerrilla Girls e Isamu Noguchi.

Páginas: 224
Formato: 24x18x1,8cm
Idioma: Português
Coleção: Serrote
Lançamento: Junho/2015

R$44,50

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