ZUM 13

A nova edição da ZUM#13 publica entrevista exclusiva de Georges Didi-Huberman (1953). Em conversa com o artista Arno Gisinger (1964), o francês fala sobre as contribuições teóricas, práticas e metodológicas da fotografia em sua obra, e revela ainda ser fotógrafo bissexto. Levantes, exposição com curadoria de Didi-Huberman, está em cartaz no Sesc Pinheiros. 
 
Outro destaque é o ensaio histórico de Takuma Nakahira (1938-2015) sobre as fotos de William Klein (1928) em Nova York. Publicado em 1967 e ainda inédito no Brasil, o texto sai agora com tradução direta do japonês. Em 1971, Nakahira exibiu sua rebeldia com a instalação Circulação: data, lugar, eventos, concebida para a Bienal de Paris. As obras de Nakahira e Klein mantêm relações profundas: ambas descartam os ideais modernistas e a pretensão de fazer um tratado sobre as cidades para inventar um método de representar a própria cultura.
 
O artigo da jornalista Dorrit Harazim (1943) compara as visões dos fotógrafos Ansel Adams e Dorothea Lange diante do decreto que confinou nipo-americanos em campos de concentração nos Estados Unidos. Assinado pelo presidente Franklin D. Roosevelt em 19 de fevereiro de 1942, o ato autorizava o internamento durante a Segunda Guerra Mundial de uma parcela da população cuja lealdade ao país fora colocada sob suspeita.
 
O fotógrafo e perito imobiliário Marcos Freire apresenta casas de classe média, média baixa e baixa na periferia de São Paulo. Esse acervo iconográfico do lar paulistano é um documento potente das últimas transformações do Brasil.
 
A fotógrafa chilena Paz Errázuriz fotografou a rotina de travestis em bordéis clandestinos de Santiago e Talca, no Chile, entre 1983 e 1987, ainda sob a ditadura de Augusto Pinochet. Esses cidadãos, que muitos consideravam uma minoria, para ela, eram a maioria plena.
 
Os retratos africanos de Viviane Sassen (1972), reunidos nas séries Flamboya (2008) e Parasomnia (2011), são políticos, antes mesmo de serem pessoais. Para a autora do ensaio, a escritora angolana Djaimilia Pereira de Almeida (1982), isso acontece porque “deixámos de ser capazes de admitir o corpo negro como um corpo humano”, mas “o corpo humano fala mesmo quando o queríamos calado e ao nosso serviço”.
 
O artista argentino León Ferrari (1920-2013) justapõe cenas cristãs, pinturas eróticas chinesas e fotografias do século 20 nas fotomontagens provocativas de Releitura da Bíblia. A força iconoclasta e política desses trabalhos levou o arcebispo Jorge Mario Bergoglio – o atual papa Francisco – a exigir o fechamento da exposição realizada na Argentina, em 2004. Em tempo de censura às artes, nada mais atual.
 
O edifício Holiday foi inaugurado em 1959, a uma quadra da praia de Boa Viagem, um dos bairros mais caros do Recife. Quase 60 anos depois, o cineasta Walter Carvalho mostra um prédio decadente, que resiste na maneira improvisada com que os cerca de 3 mil moradores driblam infiltrações, calor e lixo. A convite de ZUM, José Luiz Passos escreveu o conto “Doroti”, ampliando a galeria de personagens – ambulantes, desempregados, prostitutas, pastores, aposentados – que dá vida ao Holiday.
 
No início do século 20, o criminologista francês Alphonse Bertillon foi responsável por criar um sistema de fotografia métrica para identificação criminal, adotado pela Delegacia de Polícia de Paris, em 1882. Suas fotos integram departamentos policiais do mundo inteiro.
 


Especificações

Formato: 21 x 25 cm
Páginas: 184
Por: R$ 57,50 Comprar