Serrote 26

A nova edição da revista serrote #26 publicada pelo Instituto Moreira Salles traz pela primeira vez ao Brasil um ensaio clássico do americano James Baldwin (1924-1987), “O estranho no vilarejo”. Em 1951, Baldwin foi o primeiro negro a botar os pés na cidadezinha suíça de Leukerbad e, a partir dessa experiência, escreveu uma poderosa reflexão sobre o racismo disseminado pelo mundo e a luta pelos direitos civis nos EUA. A obra contestadora de Baldwin inspirou o documentário Eu não sou seu negro, indicado ao Oscar em 2017.

O nigeriano-americano Teju Cole (1975), autor do aclamado romance Cidade aberta, refez a viagem de Baldwin à Suíça, seis décadas depois, e escreveu sobre o racismo no mundo atual no ensaio “Um corpo negro”, também publicado nesta edição. Os textos são ilustrados pela série The Block, do pintor americano Romare Bearden (1911-1988), um conjunto de seis painéis que prestam tributo à comunidade negra do Harlem, em Nova York, onde Bearden e Baldwin viveram.

Outro destaque desta edição é o texto “Por que você veio?”, parte do novo livro da mexicana Valeria Luiselli (1983), em que ela narra sua experiência como tradutora de crianças imigrantes detidas quando tentavam atravessar a fronteira do México com os EUA. O ensaio é ilustrado com retábulos modernos, um dos símbolos da arte popular mexicana, e revela o drama dos imigrantes sem documentos na América de Trump.

O ensaio “Expresso Transcaucasiano” é um relato da viagem do escritor francês Patrick Deville (1957) por antigas repúblicas soviéticas em meio às ruínas da utopia comunista. Um dos principais convidados da Flip 2017, Deville é autor de livros que mesclam técnicas literárias e pesquisa histórica, como Viva! e Peste e cólera. As colagens que acompanham o texto são do artista conceitual Ilya Kabakov (1933), nascido na antiga União Soviética.

Em “Um detalhe na paisagem”, o poeta Leonardo Fróes (1941), que há mais de 40 anos trocou a vida no Rio de Janeiro por um sítio na serra fluminense, analisa vida e obra de uma linhagem de poetas que se retiraram da cidade para o campo. O texto é ilustrado pelo desenhista e arquiteto irlandês Nigel Peake (1981).

Um dos mais influentes críticos da cultura contemporânea, o norte-americano Fredric Jameson (1934) dedica seu livro mais recente a um dos mestres da literatura policial, Raymond Chandler. Desse volume, a serrote traz o ensaio “Jogo enganoso”, no qual Jameson defende que as histórias do detetive Philip Marlowe são um dos pontos altos do modernismo tardio. As fotografias que acompanham o texto são do americano Ed Ruscha (1937), um dos principais nomes da pop art.

Especialista em traduzir a antiguidade clássica para o público atual, a historiadora inglesa Mary Beard (1959) discute no ensaio “O riso, antigo e moderno” as várias teorias – de Plínio, o Velho, a Freud – que tentam explicar essa faculdade exclusivamente humana.

Em “O bloco dos sem-razão”, o sociólogo francês Jean-François Bert (1976) reconstitui a viagem do jovem Michel Foucault para acompanhar o carnaval dos pacientes de um asilo suíço, nos anos 1950, que inspirou uma de suas obras-primas, História da loucura. A edição traz fotos dos festejos feitas por Jacqueline Verdeaux (1924-2010). A serrote #26 também publica um ensaio visual do mexicano Alejandro Magallanes (1971), “História da arte em 100 desenhos”.
 



Especificações

Formato: 24 x 18 x 1,8 cm
Páginas: 224
Por: R$ 48,50 Comprar